Seis dias de barco – de Manaus a Tabatinga.

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Marcada para as 12H de sexta, logo na compra da passagem(preço tabelado de R$350, mas por muito pelejar consegui pagar R$320) o vendedor (nas proximidades do porto são muitos, um colado no outro) me alertou a chegar e me instalar cedo, na faixa das 9 horas da manhã, dada a concorrência pelos melhores lugares à armar a rede – ao final em nada adiantou, por mais que se ache um bom lugar, “confortável”, os retardatários aproveitam os espaços intermediários, se amontoando no barco –. Como não estava a procura de conforto, estava tudo muito bem, obrigado.

Zarpamos após interminável carregamento de mercadorias e passageiros, já um pouco depois da hora combinada.

De início três importantes acontecimentos:

 1. O contato automático e progressivo com os vizinhos de rede, já antes da saída, nos preparativos. Impressiona como já somos todos amigos íntimos, confiáveis, uns ajudando aos outros, compartilhando responsabilidades.  Cuidamos das malas, que viajam soltas no meio das pessoas e redes, quando o vizinho dá uma saída; avisamos sobre as refeições, que são “gratuitas”, porém restritas aos horários; entre varias outras oportunidades em que a existência de companheiros de viagem é importantíssima.

2. A vista de Manaus, belíssima! Não se pode perder este último contato visual com a metrópole amazonense. O barco se distancia pelo rio e a cidade se mostra a cada minuto mais peculiar.

3. O encontro das águas obscura do Rio Negro com a amarronzada (barrenta) do Solimões. Um fenômeno da natureza. A partir deste ponto o Rio Solimões é nossa estrada, até o destino final, a frontera Brasil-Colômbia.

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São seis dias da natureza, em que ela dá as cartas. Em contrapartida depositamos toda nossa admiração.

Estamos no meio da maior floresta do mundo, transportados por um barco com quase 400 pessoas, e em todos os momentos, sem tréguas, as cortinas se abrem, e se apresenta um novo espetáculo, número interpretado por um ímpar habitat.

É o dia quando desperta e descança, é a noite que sempre se ilumina, são os animais que puxam um pouco de ar na superficie do rio ou se enfiam pela mata, depois de matar a sede em suas margens, entre outros atos que se caracterizam irreportáveis.

E ainda têm os habitantes. O povo ribeirinho dessa região  vive com maestria e nos prega lições  inesquecíveis. São casebres de madeira, simples instalações, inúmeras nas margens, fundadas com palafitas que as protegem das cheias e outras, não poucas, muitas também, que se acomodam sobre o próprio rio com madeiras flutuantes, se utilizando da física para navegar interminavelmente.

Há casas flutuantes que passeiam e pescam sobre o rio, como um barco, e quando querem regressam as suas margens, simples assim rsrss…

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Bela lição, grande aprendizado. Como fazem tão belas histórias de vida no simples dia-a-dia.

Peguei-me pensando, o quanto somos pequenos, inúteis, se identificarmos o que temos a nossa disposição. E denominamo-nos, cegamente, grandes, sempre muito úteis.

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Na próxima semana continuamos com essa história de vida e paz.

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