Os mundos da Cidade do Panamá

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Grande, intensa e separada. A Ciudad de Panamá se escama, em dúvida, das construções decadentes aos modernos, grandiosos espelhados prédios, quase que miniaturas reais dos centros comerciais norte-americanos. Afinal é o mesmo, são eles que constroem suas lavanderias.

O que impressiona é a disparidade ao caminhar pelos recantos da cidade. Socialmente – o que difere da realidade da dúbia Salvador/BAHIA, por exemplo – são duas cidades em uma; de um lado a modernidade, o luxo escarrando dinheiro, o consumismo, do outro, com o alarme da incompreensão disparado, a perversidade econômica nem tenta esconder a nítida realidade inquieta e pobre, sem mínima chance de ao menos visitar o vizinho rico. Dentro desse lado abandonado está o bairro mais antigo e histórico da cidade: Casco Viejo. Único lugar da metrópole que ainda consegue transmitir o flagelo da cultura panamenha.

Casco Viejo, claro, foi onde me hospedei nos poucos dias que estive na capital.

Antes de chegar, ainda em território colombiano, conheci e comparti as ideias de alguns companheiros latino americanos. Juntos iriamos, por alguns dias, tentar entender o Panamá. Foram os argentinos Julio, Francisco (Xico) e o casal Claudia e Angel, além dos cariocas Sandro, Ana e Thiago. Todos, cada um com suas peculiaridades, colaboraram com a nossa humilde base familiar. Julio Pappacena, argentino de Buenos Aires, foi o que mais interagi, caminhamos juntos já como parceiros de longa data, da costa oeste da Colômbia, últimos pedaços de terra na nossa América do Sul até David, a segunda ou terceira maior cidade panamenha, já quase na fronteira com a Costa Rica e ponto de nossa despedida. Um prazer disfrutar da companhia e amizade destas pessoas. Amigos!

Dormimos a 3 metros do mar, cozinhamos e comemos sob o vento e alegria dos coqueiros, como uma massa de cuscuz, que sinto tanta falta, ficamos de molho as margens da rodovia panamericana a espera de um transporte… fomos consumidos pela curiosidade e interação. Irresistíveis e infinitas. Os aprendizados que se estabelecem a cada passo de uma extensa e intensa caminhada como esta, aclara, dentro da loucura individualista atual, a excepcionalidade de compartilhar. Creio que nos encontraremos um dia, ou por um mês de novo.

Esforçamos-nos em conhecer mais da Cidade do Panamá. Fui ao canal de ônibus coletivo, que são poucos e consequentemente lotados. Mas são confortáveis quando acomodáveis. Conheci como funciona o equipamento que conecta os oceanos atlântico e pacifico – uma tecnologia espantosa, digna de interligar o mundo e separar um país.

A parte leste do Panamá, lado direito do canal, é praticamente nula para os medidores econômicos do país. A cultura respira, sustenta sua determinação por entre a floresta fechada, os povoados são minúsculos e miseráveis, excluídos, sem a mínima percepção de desenvolvimento e atenção, ao menos social. Já do lado oeste, a parte ocidental do país, a esquerda do canal, se apresenta outro país: estradas bem cuidadas e trafegadas por carros novos e grandes, a cada dez minutos aparece uma cidade ou um “pueblo” (como os latinos americanos denominam suas comunidades e povoados) já com outros aspectos e aspirações. Bem-vindos a área “civilizada” do país, sua forma de viver, relacionar e mover-se. Eles amam o Brasil, nos admiram e estão evoluindo no futebol. Vivem o sonho, a cada dia mais próximo, de poder disputar uma copa do mundo.

Obrigado Panamá, boa sorte! Quero testemunhar sua liberdade.

O entusiasmo reflete na evolução.

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