A original Puerto Viejo de Talamanca.

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Como é bom escrever este país! Quando lhe toquei nada, tampouco ninguém me conhecia. Um mistério agraciado, caçador de instintos e consequentes e deliciosas proporções.

Entrei por Puerto Viejo de Talamanca – pelas minhas pesquisas para esta tese de altíssimos níveis graduais, sem modéstia –, um recanto turístico como qualquer outro, no caribe, e esquartejado pela exploração de suas belezas naturais.

– Porque insiste no que não me interessa – perguntava-me confuso –.

Mas aí, inalando o desafio de encontrar o diferente, bem dentro do que parecia mais do mesmo, sorri ao chegar numa dos únicos raros recantos negros da America Central.

A princípio, no primeiro dia, (só uma noite pra ser detalhista; cheguei tarde aqui, e só queria um canto pra refazer minhas forças), descansei no famoso, grande até demais e relativamente barato para os altos preços da Costa Rica, Rocking´s Hostal. Isolei o moído corpo que me carregou por todo o dia e boiei em profundo sono, indiferente à zuadenta multidão multicultural que se espalhava pelos plurais ambientes do albergue. Dormi como se estivesse na Fazenda Gameleira, no Giral, quando a inocência e a natureza ostentavam os sonhos de minha pouca e leve idade.

Passado o dia café-com-leite, estava pronto de novo para a “guerra”. Aproveito-me da realidade, da constatação que os dias são livres, vivos e aproveitáveis. A única regra é que sejam diferentes.

Alheio as crenças, belisquei o amor por Puerto Viejo à primeira (segunda na verdade) vista. Nesse primeiro dia ativo aluguei uma bicicleta e entre as pedaladas dispostas encontrei o que buscava, estava de frente a um acampamento dos mais simples, improvisado, alimentado por cinco cabanas de madeira, dois banheiros de lona, uma cozinha de vento, uma mesa com cadeiras, uma família de bom vivãs, um cachorro amigo e uma energia capaz de eletrificar o mundo, que circulava só ali, sem descanso. O mar, bem na nossa frente, brilhava no infinito. Já nos primeiros minutos imaginei o que logo se consumou; montei no camelo, busquei minha mochila e os dias posteriores na praia mais explorada do caribe costaricense já se declaravam produtivos, antecipadamente.

O Crododile Surf Camping, mesmo com o nome pouco original, tem poder… Por muitos motivos, todos originais, atrai gente de todo o mundo e de todas as idéias e aldeias. Mariangel e karl são os donos e idealizadores do projeto mãe – um casal feliz que me propôs amizade quase que telepaticamente. De uma vez, sem perder tempo, tratei de responder como gritava meu instinto. Fizemo-nos amigos e companheiros de paraíso.

Desta introdução que me empolga surge, com a fantasia de um doce conto, e como igualmente poderia ser narrada a energia contagiante que trás as formidáveis chuvas de madrugada que faz gente como meu pai admirar satisfeito da varanda, uma bela história protagonizada por uma família nativa de Puerto Viejo de Talamanca, inconfundíveis pelos enfileirados fios brancos invasores dos predominantes cabelos negros e crespos, olhos com cores variantes entre negro e azuis mais que belos, surdo-mudez e a riqueza da comunicação gestual.

Eu, expectador promovido a coadjuvante, por algumas semanas compartilhei, ri e respirei deste ar raro o máximo que pude. O próximo relato, por excelência, apreciará mais dessas memórias.

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