ideias e movimentações

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Dez meses de reencontros. Estava assustado com o retorno. Esquisitamente, estranhando quase tudo: o natal e o réveillon, os abraços amigos e as pessoas que abraçam, a obrigação miserável de gerar obrigação.

Optei por morar em Salvador. Cheguei sob o carinho dos chegados, nada mais. E umas histórias loucas para contar também, vai… voltei a trabalhar com sistemas e aprumei a ideia de decidir o queria degustar em Salvador, e se seria realmente em Salvador. Reencontrei a vida nativa, as cervejadas das sextas, a reclusão acomodadora de uma grande cidade e as dúvidas fantasiadas de certezas que flutuam na cabeça de cada ser humano que reside aqui, inclusive as minhas. Demorei quase que os quatro meses que trabalhei num escritório da ST Consultoria para me readaptar. Entendo que não me readaptei. Mergulhado num mundo outrora surreal, consegui materializar o imaterial plano de receber a visita permanente de pessoas que povoam o mundo. Histórias é o que meu surrado ouvido se viciou.

A princípio me apaixonei pela casa anfitriã (a primeira sede do Sopro), tendo-a iniciou-se o processo de compartilhá-la e saboreá-la, compartilhá-la e saboreá-la, saboreá-la e compartilhá-la. Foi tudo incrível, formidável, – como discursava Inácio Muricy, um avô que ainda tenho – um projeto sonhador (para não dizer louco) pros padrões da minha terra e das minhas raízes.

Depois de quase cinco meses de evolução e aprendizado, me sucumbi – como me alertou um amigo a pouco – ao sonho da montagem dum projeto internacional em Salvador. Sob injeções de integração.

Agora, depois de muitos impulsos agraciados, reitero o prazer de estar caminhando parado. De malabaristas a cantores, poetas a autores, mestres a aprendizes. De projetos a sonhos, de profecias a teorias.

Abraço Salvador forte. Me inspiro também da força dos pescadores do Rio Vermelho e de Iemanjá (a primeira deusa a encantar os olhos do meu ceticismo), absorvo as manifestações que vivem da brisa húmida desse lugar lindo. Vejo o clima brincar com os planos superficiais ao ar livre, as ondas pularem na praia do Buracão, a Baía de Todos os Santos sorrir quando ouve um jazz assoviar no Solar da Unhão.

Já recebo com abraço leve a visita dos amigos de longe que também admiram ver mundo girar, já escuto música na sala ou em algumas dessas varandas sensíveis aos cantos dos pássaros da vida. Me declaro cada dia mais à fé do universo da arte, às políticas utópicas e as conversações futuristas.

Já volto a falar das coisas, de minhas terras interioranas, das ideias, do Sopro de Iemanjá Hostal Cultural

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2 thoughts on “ideias e movimentações

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