Os colombianos costenhos. Queimados e originais. E com outra forma de pensar…

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Saí de Bogotá de noite, tarde da noite. Na verdade era pra sair, logo depois do embarque, ainda dentro da cidade, o ar condicionado do ônibus pifou – aí foi uma luta, tudo jogava contra meu adeus àquele povo.

Depois de encontrar Camila (colombiana doce de pessoa que conheci e relatei no texto anterior) no terminal e aproveitarmos um pouquinho mais o ar frio de Bogotá, enfim nos despedimos e, agora só, segui minha viagem.

Passaram quase três horas de espera, por um simples ônibus reserva, que enfim me fez mergulhar nas veias da Colômbia. Estava nas estreitas e salientes estradas daquele país. Em alguns momentos tive a certeza que iriamos sofrer um acidente. Existia um espaço minúsculo na estrada, quase que insuficiente para dois carros grandes passarem. Felizmente estava errado e após vinte horas rodando, com a companhia de três cartageneros que regressavam de passeio a sua terra, já proporcionando-me um aperitivo do que iria encontrar, cheguei em Cartagena. Meu reveillon seria alí, acompanhado, como se fez de fato, para meu imenso prazer, do carioca Mauro e da cearense/colombiana Nayara.

Tudo arquitetado, tudo certo!

Resolvido sobre a ideia de conhecer e desbravar a cara, porém linda cidade amuralhada, mergulhei. Foram três dias intensos, desde o encontro com o Brasil, representado pelo português falado entre Mauro e Nayara e eu, até as simples caminhadas nas ruas de pedras históricas, contemplando as paisagens vistas das muralhas que outrora encarceravam uma comunidade, e as radicais manobras de barco no meio do caribe colombiano, nos iluminando com a energia das ilhas Rosário e Barú.

Na volta das ditas ilhas, em meio aos predominantes argentinos que insistiam em cantar os hinos de seus clubes de futebol, respirei e soltei o hino tricolor. Sozinho.

Mauro, flamenguista, me olhava com uma mescla de surpresa e alegria. Bora Baheaaa minha porra!

O legal é interagir, independente do ambiente, e isso, na costa colombiana, acontece de forma voluntaria. As pessoas brincam, puxam assunto, são curiosas e sempre tentam vender algo, nem que seja uma ideia. Peculiar de Cartagena, todo nativo vende alguma coisa.

Em toda costa, focando nas principais cidades que passei – Cartagena, Barranquilha, Santa Marta e Turbo -, vi muitos negros (coisa rara em Bogotá e na região central do país). Tive acesso a um retrato mais claro da Colômbia, bela e multicultural.

Este nosso vizinho, hoje, vive um multirão de remodelação e reformulação. Por muito tempo a Colômbia sofreu  e, claro, ainda sofre, atualmente em menor intensidade, com a violência causada pelo monstruoso mercado das drogas. Percebe-se claramente, quando se anda pelo país, o quão se dedicam (todos, da polícia aos civis) a luta pela consolidação da paz e harmonia; a polícia é disparada, em geral, mais presente e amigável que no Brasil, por exemplo – cumprimenta, auxilia e organiza, normalmente de maneira muito cordial.

E a natureza é deslumbrante, sensacional!

Depois de passarmos, nós, o trio brasileiro, a virada do ano em festa, entre as muralhas e os argentinos e chilenos que lotavam Cartagena, partimos para a cidade de Santa Marta, cerca de três horas dalí. Comeríamos muito maracarrão caseiro (ou hostaleiro), sempre sob a chefia de nossa cearense favorita, a cozinheira oficial, e tentaríamos curtir umas baladinhas nos bares locais. Na cozinha fomos bem como auxiliares, mas nas baladas eu e Mauro falhamos e Nayara, creio que no penúltimo dia, na companhia de uma recém-amiga colombiana do Hostal, caiu na festa e tomou todas… Como indagava kkkkk!

Naquela região estava o nosso destino e paz: Parque Nacional de Tairona, berço de um paraíso sem igual, marcado por infinitas belas paisagens, características da natureza pura, em sua essência. Um lugar isolado, sem acesso a veículos, marcado apenas de trilhas longas para auxiliar as pessoas que só podem levar mantimentos básicos para comer e dormir, nada mais.

Como valeu conhecer Tairona. Para mim, falando de natureza, um dos lugares mais lindos que já conheci.

Daí, depois de uma semana de histórias, experiências e conquista de duas especiais amizades, lindas, os inseparáveis brasileiros se separaram. Mauro e Nayara voltaram para o Brasil e eu, como criança, já sonhava com o caminho adiante. Abraços amigos, creio que nossa história tem muito fôlego ainda!

Viajar não é simplesmente colocar o pé na estrada, o cérebro, naturalmente, também deve exercitar-se. Do contrario, haverá um sonho de viagem.

Bogotá e sua gente encapotada; me conquistaram.

Acho que as pessoas foram as mais culpadas pelo meu encanto por Bogotá. “Elas são frias Rafael, quase que não cumprimentam-se…”. Não, elas são elas, e quando um pessoa se dispõe  e curte, de verdade, intercambiar culturalmente, não costuma sobrevalorizar simplesmente as coisas concretas – quando se avista, em uma viagem, um prédio bonito ou uma escultura sei lá, é muito mais que válido admirar, fotografar, porém, para mim, quem o construiu é ainda mais enriquecedor e encantador –. Desde minha chegada a Bogotá, lá na Plaza Bolívar, de mochila e tudo, prendi-me a refletir àquele lugar, país, àquele povo, em principal os protestantes que se encontravam acampados no centro daquela extenso largo.

Do meu lado, sentado num dos degraus instalados na frente do palácio do governo, me dirige um jovem senhor de aparência serena, a introduzir, em sequência de me perguntar nome e nacionalidade, uma aula de história política colombiana regada a cuidadosas gotas de patriotismo – como vi patriotismo na Colômbia! Ele mesclava com fina segurança, conquistas com necessidades importantes e ainda inalcançadas, sempre mantendo seus olhos fixos  a sua frente, preso ideologicamente ao movimento orquestrado pelos manifestantes acampampados naquela movimentada e turística praça, em pleno mês de dezembro.

Nada a mais tendo a dizer, depois de alguns enriquecedores minutos de discurso e sem identificar-se, montou em sua desgastada bicicleta e disparou: “suerte muchacho, desfrute el máximo nuestra hermosa Colômbia, pero con mucho respecto!”. Daí, desse evento inicial em diante, me veio um turbilhão de alegria.

Não posso citar todas as pessoas que me proporcionaram a honra de conhecer, com um olhar mais profundo, este país. Entretanto, todos, serão muito bem representados.

Natal em Plaza Bolivar

Natal em Plaza Bolivar

Emy, que prazer te conhecer! Inglesa, professora e admiradora do mundo das viagens. Ela transformou o hobby em profissão, e hoje viaja o mundo educando crianças. A mais de um ano vive em Bogotá e aproveitei muito bem a sua graciosa presença. Agora ela mudou-se para a Tailândia e, cordialmente, já me convidou… Quem sabe rsrss!

Nos conhecemos em Letícia, a minha primeira cidade colombiana. De um simples contato, em Bogotá se tornou amizade.

Mayde, figuraça que está sonhando e programando morar no Brasil. Ela trabalha no Hostal Musicology (que me hospedei) e 50% dos luares que fui a recomendação fora dela. Um doce que adora conhecer novas pessoas. Por varios momentos, Mayde foi nossa guía na maior cidade da Colômbia, minha e de Phil Lou, um francês que se tornou, por uma semana, meu parceiro em Bogotá.

Mayde, uma figura

Phil Lou, apesar de ser francês, vive numa pequena e isolada ilha no meio do pacífico, Nova Caledônia. Formamos uma dupla franco-brasileira, na Colômbia, e que se comunicava em espanhol… Nós, quase sempre, teníamos a companhia de Mayde, durante o dia ou na noite. Saudade desses intensos dias que marcaram o natal de 2013!

Por fim, sob um ocasional encontro dentro de um buzú, eu, como sempre perdido e lutando para entender um mapa, vejo entrar e sentar-se do meu lado uma conversadeira e linda Colômbiana. Me deslumbrei! Mais uma vez estou a fazer uma bela amizade. Ela se chama Camila, Maria Camila, e me deu logo de início várias dicas, aquelas que só um nativo pode dar; daí, depois de chegar em seu destino, trocamos contatos para marcarmoms alguma coisa para outro dia.

Maria Fernanda

Nos encontramos depois, conheci muito da cidade através dela, conversamos sobre coisas sérias, falamos besteiras e, assim, fizemos um intercâmbio perfeito. Sempre curtindo aquele encontro do acaso, de dois mundos diferentes.

Como eu tinha outros lugares da Colômbia para ir e mais de dez países para conhecer adiante, me despedi de Bogotá. Na rodoviaria já sentía muita saudade. Não senti frio neste lugar, mesmo que com uma temperatura que dificilmente passava de 15 graus.

Atento a orden do senhor da Plaza Bolivar, creio que comecei bem minha passagem pelo seu país. Desfrutei o que pude de Bogotá. Que venha Cartagena das Índias e toda a rica costa colombiana.

Bogotá cultural e humana.

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De forma superficial já havia comentado pelo facebook sobre a intensidade das manifestações culturais em toda Bogotá. É impressionante a criatividade dos seus artistas que se utilizam das ruas como palco, e dos pedestres platéia, para esbanjar talento, luta e personalidade. O que mais me impressionou foi a forma explorada por eles para prepaparam-se. Alí mesmo, sem cortinas, sem frescura, transformando-os, em poucos minutos, de pessoas normais a artistas.

São imitadores, cantores, comediantes, pintores, músicos, entre outros varios tipos  e estilos; podem ser vistos nas partes mais movimentadas da cidade, principalmente no centro e algumas regiões de mais concentração de gente.

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Enriquecendo e provando o argumento de que vale, e muito, explorar a capital colombiana, sugiro os diversos museus e pontos não menos interessantes para visitação: têm os museus de Botero, Militar, del Oro e Nacional – me encheram os olhos pela originalidade e conteúdo; todos servem de atalho, objetivamente, para conhecer a história de um belo país. Definitivamente, a Colômbia foge e muito dos argumentos negativos que se ouve fora dela. Relacionam, ainda falo dos museus, cada peça em exposição a um fato importante ocorrido em sua vida como colônia ou país.

Todos estes gratuitos, o Museu del Oro que cobra uma simbólica taxa de 2 reais.

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No mais é importante que se conheça o dia-a-dia da cidade, as praças e zonas que se fazem pulsantes, cada uma a seu peculiar estilo. Além da já citada (no relato anterior) Plaza Bolívar, existem varias mais e para todos os gostos.

Zona Rosa para quem gosta de agitação, Usaquém para os que preferem um programa mais suave e familar, tampouco isento de opções: alí tem feira de artesanatos, apresentações culturais, barracas, bares e restaurantes agradabilíssimos. Isso sem falar da Plaza Chocó, pequena e aconchegante, sempre com uma atração artística a qual  pode acomodar-se e aprender um pouco mais da vida.

São estas as coisas que acrescentam, as mais simples e despercebidas – numa viagem é importante saber localizá-las.

Pra fechar conto o grandioso Monserate, que reserva vistas espetaculares de toda cidade e seu entorno. Existe um espaço grande lá em cima, por isso é ideal que reserve um bom tempo para conhecê-lo.

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Caminhe, ande de ônibus (melhores serviços e mais baratos que os de Salvador, por sinal), converse com as pessoas, que são muito agradáveis em geral, explore o que há de mais cotidiano na cidade, estou certo que irá encontrar mais do que possa imaginar.

O próximo texto fala das pessoas deste canto de nossa América do Sul, lugar que, com extrema sinceridade, me conquistou. Um encanto que certamente me fará regressar.

Tabatinga/Bra e Letícia/Col. Duas cidades, dois países, no mesmo pedaço de terra.

Aeroporto de Letícia/Col

Aeroporto de Letícia/Col

Letícia - Colômbia

  Letícia – Colômbia

Saí cedo de Benjamin Constant, relaxado – leve e totalmente confuso a respeito do estereótipo que criamos sobre o Brasil. Me senti um extrangeiro em meio a original cultura de nossa terra. Penso que devemos conhecer mais a nossa Amazônia; nos familiarizar com nosso verdadeiro povo -. Peguei um barco e 40 minutos depois estava em Tabatinga. Por meio do Rio Solimões, esta é a última cidade brasileira, coladinha com a colombiana Letícia..

Uma fronteira diferente! Assim se pode descrever a fronteira Brasil-Colômbia, pela Amazônia. O interesante é que são duas cidades totalmente distintas, com estilos próprios e pecualires.

Tabatinga é uma simples cidade do estado brasileiro do Amazonas, que abriga um porto de entrada e saída do nosso país – por aí passa uma grande quantidade de suprimentos e pessoas, todos os dias, entrando e saindo do Brasil.

É desogarnizada, demais informal, parecendo uma feira livre geral, tomando todas as ruas da cidade.

Para os nativos da Amazônia, a definição ao comparar Tabatinga de Letícia, basicamente assim se conceitua: “Tabatinga é terra de ninguém, aqui as coisas se resolvem na bala; Já Letícia, mesmo sendo uma cidade da famosa Colômbia, Existe polícia e controle, alí as pessoas vivem com mais segurança e tranquilidade.

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Letícia, muito mais importante para seu país, por ser capital de um departamento colombiano (chamado de Amazonas também), como são denominados os estados desse país, passa, logo de princípio, a real impressão de mais organização, mais policiada, a abrigar, assim, uma qualidade de vida melhor e mais estável.

O mercado turístico funciona muito bem, atrai e explora com objetividade a Amazônia colombiana. O rio, que passa por dentro da cidade, como em Tabatinga, proporciona recantos fantásticos,em meio a maior floresta do mundo.

Museus, espetáculos abertos, o porto e várias outras opções, faz, realmente, de Letícia, uma cidade mais interessante.

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O legal disso tudo é que são, inegavelmente, duas cidades diferentes ocupando, como ressalto no título do relato, quase que o mesmo espaço. Eu mesmo, caminando pela primeira vez na avenida da amizade, cruzei a fronteira sem perceber e só me dei conta de estar sobre solo colombiano ao me atentar aos letreiros do comércio local. Todos já estavam em espanhol rsrsss.

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Outro ponto importante que vale destacar é o turismo da região, pelas minhas observações, totalmente informais, a esmagadora maioria, como 80%  dos turistas, incluindo os brasileiros, se hospedam e exploram com mais intensidade a cidade de Letícia. Pode-se entender o motivo natural de Tabatinga, a cidade brasileira, está num nível inferior a sua vizinha de cerca.  Lembrando que ambas são básicamente do mesmo porte.

Esta diferenca atrai. De fato, isto também ajuda a tornar essa região tão instigante. Vale muito conhecer essa parte extrema do nosso Brasil e da apaixonante Colômbia.

Ahhh Colômbia; ela estará no centro das atenções a partir do próximo relato.

As cidades e comunidades ribeirinhas

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Depois de quase três dias a bordo, sobre as águas do Rio Solimões, sem parar, chegamos no primeiro porto (cidade ribeirinha de Fonte Boa), uma breve escala no meio de uma clara madrugada amazônica. Daí foram muitas as paradas e mais demoradas, chegando a 5 horas de espera no precário porto de São Paulo de Olivença, uma pequena cidade do médio Solimões, a qual conserva uma curiosa estória: por localizar-se ao redor de uma enorme cratera, em plena margen do rio, reza a lenda que uma índia sonhou ver, dentro desta cratera, um polvo gigante, prestes a despertar-se. Em questão de tempo a pequena cidade desapareceria.

De fato, metade da cidade desapareceu, decorrente dum processo corrosivo em que a terra cedeu a poucos anos atrás – coitados dos olivencenses, vivem sob eterno assombro.

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Depois de Fonte Boa aportamos em Jutaí, Santo Antonio do Icá, Amaturá e Benjamim Constant, cidade já do alto Solimões, próxima de Atalaya do Norte, municipio que agrega inúmeras tribos indígenas, normalmente às margens do Rio Javari, um dos maiores afluentes do gigante Solimões.

Minha passagem foi comprada para Tabatinga, destino final do barco e cidade fronterícia com a Colômbia, porem, como estava solto na buraqueira e havia conhecido um nativo gente boa da atraente Benjamim Constant no barco, que se colocou a disposição para mostrar-me a região, decidi ficar por alí mesmo e explorar um pouco daquela rica comunidade. Estava no miolo da Floresta Amazônica.

  1. ImagemImagem Chegamos as 22 horas e fui direto me recolher numa pousada simplezinha, de madeira, muito comum por essas bandas. Logo ao amanhecer, Osvaldo, meu chegado nativo, já estava me acordando para desbravarmos juntos, de moto, as estradas daquela região. Que fartura! Verde para tudo quanto é canto, casas isoladas no meio da selva fechada, tribos instaladas nos recantos e índios circulando por todas as partes. Outro mundo, longe de tudo alcançado por meus olhos antes. Foi um dia intenso e rico, aonde conheci muita gente interessante, verdadeiros mestres do mato.

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Acabei conversando com a coordenadora da FUNAI, em Atalaya do Norte, tentando autorização, sem sucesso, para entrar em uma das reservas que abrigam as tribos mais isoladas. Apesar de me apresentar, estratégicamente, como jornalista e blogueiro, a burocracia exigia mais de dez dias para a condução dos trâmites – tempo que eu não tinha. Mas valeu, conheci algumas comunidades indígenas mais civilizadas, e deu para absorver um pouco de suas culturas.

O objetivo é importantes, todavia, o caminho da conquista deve ser enriquecedor, intenso e, sensivelmente, saboreável.

Seis dias de barco – de Manaus a Tabatinga.

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Marcada para as 12H de sexta, logo na compra da passagem(preço tabelado de R$350, mas por muito pelejar consegui pagar R$320) o vendedor (nas proximidades do porto são muitos, um colado no outro) me alertou a chegar e me instalar cedo, na faixa das 9 horas da manhã, dada a concorrência pelos melhores lugares à armar a rede – ao final em nada adiantou, por mais que se ache um bom lugar, “confortável”, os retardatários aproveitam os espaços intermediários, se amontoando no barco –. Como não estava a procura de conforto, estava tudo muito bem, obrigado.

Zarpamos após interminável carregamento de mercadorias e passageiros, já um pouco depois da hora combinada.

De início três importantes acontecimentos:

 1. O contato automático e progressivo com os vizinhos de rede, já antes da saída, nos preparativos. Impressiona como já somos todos amigos íntimos, confiáveis, uns ajudando aos outros, compartilhando responsabilidades.  Cuidamos das malas, que viajam soltas no meio das pessoas e redes, quando o vizinho dá uma saída; avisamos sobre as refeições, que são “gratuitas”, porém restritas aos horários; entre varias outras oportunidades em que a existência de companheiros de viagem é importantíssima.

2. A vista de Manaus, belíssima! Não se pode perder este último contato visual com a metrópole amazonense. O barco se distancia pelo rio e a cidade se mostra a cada minuto mais peculiar.

3. O encontro das águas obscura do Rio Negro com a amarronzada (barrenta) do Solimões. Um fenômeno da natureza. A partir deste ponto o Rio Solimões é nossa estrada, até o destino final, a frontera Brasil-Colômbia.

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São seis dias da natureza, em que ela dá as cartas. Em contrapartida depositamos toda nossa admiração.

Estamos no meio da maior floresta do mundo, transportados por um barco com quase 400 pessoas, e em todos os momentos, sem tréguas, as cortinas se abrem, e se apresenta um novo espetáculo, número interpretado por um ímpar habitat.

É o dia quando desperta e descança, é a noite que sempre se ilumina, são os animais que puxam um pouco de ar na superficie do rio ou se enfiam pela mata, depois de matar a sede em suas margens, entre outros atos que se caracterizam irreportáveis.

E ainda têm os habitantes. O povo ribeirinho dessa região  vive com maestria e nos prega lições  inesquecíveis. São casebres de madeira, simples instalações, inúmeras nas margens, fundadas com palafitas que as protegem das cheias e outras, não poucas, muitas também, que se acomodam sobre o próprio rio com madeiras flutuantes, se utilizando da física para navegar interminavelmente.

Há casas flutuantes que passeiam e pescam sobre o rio, como um barco, e quando querem regressam as suas margens, simples assim rsrss…

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Bela lição, grande aprendizado. Como fazem tão belas histórias de vida no simples dia-a-dia.

Peguei-me pensando, o quanto somos pequenos, inúteis, se identificarmos o que temos a nossa disposição. E denominamo-nos, cegamente, grandes, sempre muito úteis.

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Na próxima semana continuamos com essa história de vida e paz.